Crise, incertezas, reestruturações e cortes de orçamento

Neste post o Casa da Gestão vai abordar alguns exemplos de gestores que se adaptaram com maestria a este novo cenário passageiro instaurado pela Crise mundial.

Eles não fizeram nada demais, apenas compreenderam o que era esperado deles, ajustaram-se, modelaram a equipe e agiram como agentes de mudança nas empresas que atuam.

Segundo Camila (nome fictício), 34, executiva de uma multinacional, o novo cenário demandava alta priorização. Para ela, o ponto chave de como passar pela crise não era o corte de gastos e pessoas, mas sim a defesa de alguns projetos junto à Diretoria. Os projetos escolhidos para dedicar energia não foram sorteados ou escolhidos a esmo, os poucos priorizados estavam ligados à demandas de outras áreas que, por meio desse projeto, alcançariam seus resultados.

Mesmo nestes projetos priorizados, Camila conta que todos os gastos supérfluos foram cortados, por iniciativa dela, não de seu Diretor. Com isso, o trabalho operacional aumentou e muito. Isso não foi uma surpresa para a equipe de Camila, que fez uma longa reunião explicando o cenário que a equipe se encontrava, o que seria preterido nos projetos e como o aumento das atividades operacionais seria importante para o alcance de resultados chave para a superação deste momento.

Em outra entrevista, Maria (nome fictício), 39, executiva de RH de uma empresa de médio porte no ramo de crédito, enfatiza a importante de minimizar os impactos da crise na equipe, mas sem ocultar informações.

Segundo Maria, alinhamentos constantes com a equipe foram fundamentais para a sobrevivência no primeiro semestre deste ano. Ela alega que alguns membros da sua equipe mantiveram uma positiva e disponível, mesmo frente a um aumento considerável de atividades operacionais e o congelamento de projetos interessantes e importantes para o longo prazo.

Na equipe de Maria uma profissional aparentemente não compreendeu muito bem o cenário que a equipe estava submetida. Com comportamentos inadequados, falas negativistas e uma postura altamente queixosa, Maria teve de fazer diversos alinhamentos individuais para conseguir manter esta pessoa na equipe. Infelizmente, essa profissional não deve ter lido nenhuma matéria similar a esta deste link, o que culminou em seu desligamento.

Maria reforça que a demanda é alta, se você não se adapta, corre o risco de perder o emprego e a equipe tem um papel fundamental nesta adaptação.

Portanto, você, gestor, não se esqueça que, às vezes, é necessário abrir mão de algum glamour, arregaçar as mangas e descer ao nível operacional, mas que envolver a equipe neste processo, além de extremamente necessário, é um diferencial que pode determinar seu sucesso ou não ao atravessar um momento crítico na companhia!

Feedback

Olá a todos,

Depois de ler as respostas publicadas e as inúmeras sugestões enviadas para o meu email, decidi dar continuidade à esse assunto abordando outro tema, complementar a este. O Feedback.

Este termo, oriundo da biologia, quer dizer, em sua mais pura simplicidade, retro-alimentação. Mas o que significa isso?

Retro-alimentar é nutrir um ciclo de estímulo-resposta com uma resposta que ao mesmo tempo é um estímulo.

Confuso? Que tal um exemplo básico, simples de ser compreendido e presente em nosso dia-a-dia?

Quando nosso corpo fica determinado período de tempo sem água, nosso cérebro dá um feedback para nosso corpo e nossa boca fica seca. Vale ressaltar que ainda há agua no corpo, e muita! Mas mesmo assim, o corpo recebe o sinal do cérebro e o que nós sentimos é a sede. Imediatamente, qualquer ser humano com bom nível de saúde mental procuraria por uma oportunidade de beber água ou outro líquido que sanasse sua sede.

Em Gestão, o que ocorre (ou deveria ocorrer) é exatamente a mesma coisa. Traçando o paralelo, para ficar bem ilustrativo, teríamos:

Cérebro = Gestor.
Corpo = Colaboradores.
Boca = GAP's encontrados na Avaliação do desempenho.
Água = Treinamento, oportunidades de desenvolvimento, coaching, etc...
Feedback = Feedback (risos)

Entretanto, infelizmente não é isso que observamos em todos os casos. O que é comum, lamentavelmente, é a revolta e o julgamento dos gestores e profissionais de RH para com o colaborador com algum ponto de melhoria evidente.

Seria como se nosso cérebro identificasse que nosso corpo está com déficit de água e sua reação fosse algo como "Corte as pernas para economizarmos água", acreditando na doce ilusão que isso aliviaria sua sede.

Acho que com essa ilustração, equalizamos o conceito de feedback. Mas o que é o feedback na Gestão de pessoas?

No exercício da Gestão, feedback é um pouco mais do que um simples retorno sobre o desempenho. Em Gestão, feedback é uma prática a ser desenvolvida no seu dia-a-dia e aplicada como TÉCNICA.

Isso quer dizer que dar feedback exige preparo, qualificação e dedicação. Há diversas técnicas para promover o feedback mas a mais usada é mesmo uma reunião de feedback.

Nesta reunião, Gestores e Colaboradores têm a oportunidade de trocar percepções que cada um tinha acerca do desempenho do colaborador. Quando esse nível já está evoluído, passa-se então à troca de percepções sobre o desempenho de cada um, quando Gestor comenta e discute sobre o desempenho do Colaborador, e o movimento contrário também acontece. Mas isso é um passo além, exige maturidade e preparo.

Voltando para os conceitos básicos da técnica de feedback, é nessa reunião que o gestor abordará os principais pontos fortes e de melhoria do colaborador da sua equipe.

Hummm, então quer dizer que em uma reunião de feedback também são abordados os pontos positivos? SIM. Ou você deseja que o colaborador pare de fazer algo que é um forte em seu perfil? Nada disso, aquilo que é bom também DEVE ser abordado.

Acima, ressaltei que os principais pontos devem ser abordados. O que você acredita que isso quer dizer?

Isso significa que um pequeno deslize não é abordado neste tipo de técnica. Nesta técnica você atentará seu foco para os pontos focais a serem trabalhados. E isso limita a cerca de 3 ou 4 pontos. Se você relatar uma lista de 25 pequenas coisas a serem desenvolvidas, além de acabar com a auto-estima do seu colaborador, vai deixá-lo desorientado, sem foco para desenvolver-se.

Legal! Já sabemos que serão abordados apenas 3 pontos, mas quais?

Para responder essa pergunta o Gestor deve pensar a respeito antes da reunião. Essa história de feedback pontual não promove o desenvolvimento de ninguém e ela tem um nome, chama-se CRÍTICA.

Portanto, para uma reunião de feedback, o gestor deve preparar-se previmente.

Escolhidos os 3 pontos mais fortes e os 3 pontos de melhoria, vamos à reunião, correto? Não... Um feedback só faz sentido quando é acompanhado de elementos que o provem, que o validem. Isso quer dizer que não basta entrar na sala e falar, "você é desatento". Isso também é uma crítica, só que com hora marcada.

Você deve coletar dados da realidade que comprovem o que você está dizendo. Que mostrem ao colaborador que isso não é uma implicância sua, nem perseguição, nem nada disso, que isso é apenas um dado de realidade.

Com isso em mãos e um bom exercício de sensibilidade humana, você á está mais preparado para promover uma reunião de feedback.

Recapitulando:

Você deve agendar previamente esta reunião;
Você deve focar a pauta da mesma em até 3 ou 4 pontos de cada (Melhoria/Fortes);
Você deve ter tudo preparado antes de iniciar a reunião;
Você deve mostrar dados recorrentes da realidade que comprovem aquilo que está falando; e
Você deve usar sua sensibilidade humana no momento de abordar os pontos de melhoria.

Ainda não é só isso, a técnica continua e há muito mais a abordar, mas gostaria de fazer isso com vocês!

Que tal opinar, criticar e complementar este arquivo?!

De onde veio este BLOG

E, finalmente, nasce um projeto...


Há algum tempo venho temperando a idéia de publicar um Blog e promover algumas discussões e reflexões com minha network. Algumas vezes fui desencorajado sob o principal argumento de que não adiantaria escrever para um público que não tem tempo de ler e/ou criticar. Acho que foi justamente por isso que decidi publicar o Blog o mais rápido possível.


Ao meu ver, se você não tem tempo de LER, INFORMAR-SE e participar de grupos de REFLEXÃO sobre as práticas de Gestão de RH mais utilizadas e comentadas no mercado, algo está muito errado...


É condição sine qua non de sucesso para qualquer profissional de RH ou de Gestão conhecer profundamente a técnica, seu contexto, aplicabilidades, vantagens e desvantagens antes de aplicá-la à sua equipe. Talvez, se isso fosse levado mais a sério não existiriam tantos casos de projetos de gestão que não terminam, ou terminam tragicamente.


Em certa vivência acompanhei um caso clássico de implantação de avaliação de desempenho cujos resultados foram vergonhosos. E o pior de tudo é que todos os envolvidos estavam cobertos de boa vontade, conheciam a teoria da avaliação na ponta da língua e estavam em um cenário propenso ao sucesso. Eles só se esqueceram de um detalhe: A avaliação do desempenho é só um fragmento de um programa maior, a Gestão do desempenho.


Em resumo, o que aconteceu foi que essa equipe avaliou todos os profissionais de determinada área, construiu relatórios e pareceres e chegou à triste conclusão que mais de 40% dos colaboradores estava com desempenho abaixo do esperado.


Ótimo, e qual era o próximo passo?


No planejamento deles, o próximo passo era premiar os 15% com melhor resultado na tal avaliação. Até aí tudo bem, é fundamental reconhecer o empenho e o desempenho dos profissionais envolvidos. Só que o comentário nos corredores, nas mesas de Happy Hour e nas reuniões era justamente outro: “- O que faremos com esse número enorme de profissionais que tiveram uma avaliação negativa? O que devemos falar para eles?”


Infelizmente, na concepção deste programa havia muito pouca atenção à duas das etapas mais importantes do processo de Gerir o Desempenho, a etapa do feedback e da elaboração de planos de ação para melhoria dos pontos levantados na avaliação.


A evolução deste case foi a mais provável desde seu início, o fracasso. Os colaboradores avaliados ficaram com a sensação de caça às bruxas, os gestores envolvidos sentiram na pele a perda de performance de suas equipes e muitos projetos de RH desta empresa caíram no descrédito.


Para evitar esse tipo de situação e, principalmente, esse tipo de desfecho, há uma simples receita: BENCHMARK.


Portanto, esse Blog nasceu justamente do desafio de promover mais trocas entre profissionais de RH e Gestores e desafiar sua incrível falta de tempo.